O um para ser três antes foi dois.
O um deve ser dois e só depois
dará três.
O três já foi um e será mais.
terça-feira, 22 de abril de 2014
sábado, 12 de abril de 2014
Ramalhete
Senhores, eu fiz apenas um ramalhete de flores escolhidas: nele nada existe de meu, a não ser o laço que as prende. Rompei o cordão ou desatai o laço, como vos parecer melhor. E quanto ao
ramalhete de fatos, jamais podereis destruí-lo. Podeis ignorá-lo, e nada
mais.
H.P. Blavatsky (citando Montaigne) em A Doutrina Secreta
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Derivas
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| img. odyr bernardi |
Confio nas ondas.
Vejo o céu como não o vêem as aves.
Brinco de morrer.
Estou ao sabor do mar como nuvens à mercê do vento.
Tranquilidade emocionante, além humana, alimentada.
Em uma hora terei de nadar até que meus pés toquem o chão fundo e eis a praia.
Erguerei o corpo que é meu.
Vestirei o nome que me trouxe aqui.
Trarei na tez suor e para sempre esta suave lembrança - fotografia do dia de quem confia no mar e dele ainda se umedece.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Vasto alçar
- vista ampla de quem voa.
De quem voa e tem visão.
Tínhamos esses pés e aquela força que os mantém retos, rentes, coesos.
Falávamos sobre nunca alar
os pés.
Promessas de não ser asa
a mão.
Como escrever, se com asas?
Como saber se vão ter asas as palavras
se vão ter casas
se são de fincar-se ao chão?
- Talvez fecundem um charco.
Castelos no ar ou manteiga ovo e pão?
Como saber se as palavras vão-se orvalhos
ou carvalhos
ou apenas caem-se cascalhos como flores nos interlúdios? Como?
Necessário ousá-las ouro. Dar-lhes fogo. Soprar e deixar que vão.
Que vão e que irão vastas.
- Vão!
--
Porque já não quero asas, o mundo do ar, das infinitas suspensões e interregnos. Porque preciso de terra e formigas, umidade de chão e charco, folhas caídas, momentos fecundos. Porque em mim estanca-se o tempo de aguadas, as correntes se invertem, os barcos ancoram e se faz hora de remendar redes, pés descalços no agora. Porque preciso reinventar o sonho, costurá-lo miúdo em princípio, alinhavar pequeno, bordar no início, começar de dentro a nova rosa dos ventos.
Patrícia Antoniete
domingo, 1 de dezembro de 2013
Mais ocitocina por favor
O principal hormônio atuante no parto é a ocitocina, que é a responsável pelas contrações uterinas. A ocitocina, na verdade, faz parte integrante de nosso dia-a-dia, sendo liberada em diversas circunstâncias, entre elas: nos momentos em que nos alimentamos, nos momentos em que relaxamos e quando nos preparamos para adormecer, nos momentos em que vamos ao banheiro para evacuar... Em outras palavras, nos momentos em que utilizamos menos o nosso neocortex, sede da linguagem e do raciocínio, e mais o nosso sistema límbico, mais primitivo. Ela também é liberada quando nos engajamos em atividades sociais prazerosas, como uma boa conversa ou um abraço, e é protagonista principal de nossa vida amorosa e sexual, sendo também conhecida como o "hormônio do amor".
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Pedi licença ao sonho pra no real trabalhar
Amor é substância originária.
A palavra que há.
De resto o ilusório.
Que passa ou passará.
Amor passa não.
Finca-se no passageiro.
De passagem pela paisagem.
Amor que cobre o céu.
Raio que desce ao chão.
De pé, pisa o barro batido.
Alado, flutua a nuvem algodão.
Das coisas todas o amor
é a única que sempre foi
é
e será sempre.
O eterno é.
Nós, quem somos?
Pedi licença ao sonho pra no real trabalhar.
A palavra que há.
De resto o ilusório.
Que passa ou passará.
Amor passa não.
Finca-se no passageiro.
De passagem pela paisagem.
Amor que cobre o céu.
Raio que desce ao chão.
De pé, pisa o barro batido.
Alado, flutua a nuvem algodão.
Das coisas todas o amor
é a única que sempre foi
é
e será sempre.
O eterno é.
Nós, quem somos?
Pedi licença ao sonho pra no real trabalhar.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Barricada
Digo-te, mais, que o céu na terra existe: pouco, em verdade, pois é legião ainda a massa que se desbota a guardar-se para um dia - amanhã dos amanhãs...
Enquanto a manhã tarda, o que a multidão guarda frustra-se e fermenta e irrita o todo e a parte, e em vez de céu é inferno o que se tem: por toda a parte a guerra quente, a guerra fria ou a morna paz insustentável.
Ao contrário do gênio belicoso, que no frio descansa e se refaz, o deus leve do amor tende a ir-se embora para não mais...
Antes que ele de todos se vá de todo, tento por amor falar de amor:
- Amor, enxuga os olhos, abre a luz do teu sorrir e vamos, de mãos dadas, resistir!
Geir Campos / Metanáutica
Poeta amigo de Thiago de Mello, Piloto do navio Lloyd Brasileiro durante a Segunda Guerra e avô da Maíra.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
FIO
Fio.
Aquilo que forma uma linha que é coisa fina, sutil, tênue, delicada.
Pode ser o corte de um instrumento, o gume ou a sorte da sucessão contínua das palavras com o que aranhas e bichos-da-seda tecem teias e casulos e nós poemas e meadas, mas não os mexericos.
Se achou-se em grande risco, antes que esteja por um triz, materialize a vertical com o fio de prumo e alinhe a alma à mente ao corpo e rente. Com o dental, remova a comida dentre os dentes ou deixe nuas as nádegas.
Um fio translúcido deixa passar a luz, sem permitir a nitidez dos objetos por sua espessura. Algo fosco. Se for diáfano, deixa-se atravessar pela luz dando à perceber o sentido oculto. Algo reluz.
Um fio que dê o infinito ao infinitesimal e que descenda (e ascenda) translúcidas transparências que no ajuste foco do qual dependa a solução do paradoxo que una em una fórmula o que ofusca e o que reluz. Algo luz.
Em silêncio enfio o fio do telefone no ouvido. Se o calo escuto. Seu som é bem baixo pois vem de muito longe do lato íntimo. Calado ele me disse que no futuro não serão precisas as palavras. Tudo vai estar na cor e o subjetivo exposto.
Tão posto como a mesa e o meio dia.
E antes que eu esqueça
fios de nylon são bons para pescar variedades.
E acabo de lembrar que
a vontade da alma utiliza um fio chamado sutratma.
Aquilo que forma uma linha que é coisa fina, sutil, tênue, delicada.
Pode ser o corte de um instrumento, o gume ou a sorte da sucessão contínua das palavras com o que aranhas e bichos-da-seda tecem teias e casulos e nós poemas e meadas, mas não os mexericos.
Se achou-se em grande risco, antes que esteja por um triz, materialize a vertical com o fio de prumo e alinhe a alma à mente ao corpo e rente. Com o dental, remova a comida dentre os dentes ou deixe nuas as nádegas.
Um fio translúcido deixa passar a luz, sem permitir a nitidez dos objetos por sua espessura. Algo fosco. Se for diáfano, deixa-se atravessar pela luz dando à perceber o sentido oculto. Algo reluz.
Um fio que dê o infinito ao infinitesimal e que descenda (e ascenda) translúcidas transparências que no ajuste foco do qual dependa a solução do paradoxo que una em una fórmula o que ofusca e o que reluz. Algo luz.
Em silêncio enfio o fio do telefone no ouvido. Se o calo escuto. Seu som é bem baixo pois vem de muito longe do lato íntimo. Calado ele me disse que no futuro não serão precisas as palavras. Tudo vai estar na cor e o subjetivo exposto.
Tão posto como a mesa e o meio dia.
E antes que eu esqueça
fios de nylon são bons para pescar variedades.
E acabo de lembrar que
a vontade da alma utiliza um fio chamado sutratma.
domingo, 17 de novembro de 2013
Sara mago
José Saramago - A viagem do Elefante
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Asas ao povo
A natureza não conhece códigos morais
Nem os termos da constituição
Não nascemos brasileiros
Pergunte ao chão se ele sabe das fronteiras
Ou ao mar se ele conhece os limites
Não vim inscrito nas instituições nacionais
Nem você
Tanto se faz dinheiro
As mãos fazem plantas à tona
Não nasci membro do sistema
Todo bebê é anarquista
Todo banqueiro deveria ser anarquista e
deveria fazer chover o amor livre sobre nós
Todos nós
Toda tarde
Molhar os tabloides
Diluir as tintas e
pelos visores das tvs devolver
asas ao povo!
Andorinha
Fluir de vez.
Devir sobre fluxo sob refluxo das ondas dos dias.
Acima e ser.
Sorrir tendo o fio do prumo dos rumos.
Andar de vez.
Ir por elevações e planícies das eras.
Assim e ser.
Sorrir qualquer sorriso que firme a curva dos rios.
Sustentar a dança do corpo os braços dados.
Aguentar que o espírito plana e paira sobre o arado.
Pois vai chover do olho da andorinha a chave.
Pois vai.
Devir sobre fluxo sob refluxo das ondas dos dias.
Acima e ser.
Sorrir tendo o fio do prumo dos rumos.
Andar de vez.
Ir por elevações e planícies das eras.
Assim e ser.
Sorrir qualquer sorriso que firme a curva dos rios.
Sustentar a dança do corpo os braços dados.
Aguentar que o espírito plana e paira sobre o arado.
Pois vai chover do olho da andorinha a chave.
Pois vai.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Fio* de prumo
FIO *o que forma uma linha
coisa sutil, tênue, delicada
corte de um instrumento, gume
sucessão contínua de palavras
com o que aranhas e bichos-da-seda tecem teias e casulos
achar-se em grande risco; estar por um triz
materializa a vertical
remove comida dos dentes.
deixa nuas as nádegas
fio de prumo: A observação de um objecto pesado pendurado na extremidade de um cordel produzindo no mesmo um efeito de perpendicularidade em relação à terra, foi um fenómeno verificado pelos primeiros pensadores da antiguidade. Faz a transferência exacta de um ponto entre dois planos desnivelados. Neste campo, o fio-de-prumo continua sendo um instrumento indispensável na construção moderna.
translúcido: Que deixa passar a luz, sem permitir, entretanto, que se vejam nitidamente os objetos através de sua espessura; diáfano, transparente: os vidros despolidos são translúcidos.
transparente: Que, deixando-se atravessar pela luz, permite distinguir nitidamente os objetos através de sua espessura: o vidro é transparente. Cujo sentido oculto se deixa perceber: alusões transparentes.
coisa sutil, tênue, delicada
corte de um instrumento, gume
sucessão contínua de palavras
com o que aranhas e bichos-da-seda tecem teias e casulos
achar-se em grande risco; estar por um triz
materializa a vertical
remove comida dos dentes.
deixa nuas as nádegas
fio de prumo: A observação de um objecto pesado pendurado na extremidade de um cordel produzindo no mesmo um efeito de perpendicularidade em relação à terra, foi um fenómeno verificado pelos primeiros pensadores da antiguidade. Faz a transferência exacta de um ponto entre dois planos desnivelados. Neste campo, o fio-de-prumo continua sendo um instrumento indispensável na construção moderna.
translúcido: Que deixa passar a luz, sem permitir, entretanto, que se vejam nitidamente os objetos através de sua espessura; diáfano, transparente: os vidros despolidos são translúcidos.
transparente: Que, deixando-se atravessar pela luz, permite distinguir nitidamente os objetos através de sua espessura: o vidro é transparente. Cujo sentido oculto se deixa perceber: alusões transparentes.
FIO
de translúcidas transparências
do infinito ao infinitesimal
Lato
Vôo altaneiro, livre de peias, erguendo-se muito alto, acima do interminável fluxo e refluxo da vida ordinária, a fim de ser alcançada uma visão mais ampla.
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