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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Abertura

Deus, deus!
Como tudo é bonito!
Não, olhem só,
Olhem como tudo é bonito!
Era um grito do seu coração.
Górki

Bailem quando estiverem destroçados.
Bailem quando retirarem sua venda violentamente.
Bailem quando se encontrarem no meio da luta.
Assim, digam e continuem dizendo:
- Teremos caído no lugar onde tudo é arte. 
Rumi



segunda-feira, 6 de junho de 2016

amor por antônio

poema para antônio ramos rosa,
o homem que escreveu  a frase
estou vivo e escrevo sol
e que morreu aos 88 anos


não adiemos a poesia 
que vem do amor 
da natureza
por nossos olhos
pele e coração

não deixemos a palavra perfeita que vem do cimo cume

alto indo desvairar ou cair largada, não
num salto colhemo-na de mãos abertas não prostradas
ousaremos-a no ouro 
que não ostenta o lar divino onde está antônio em seu caminho de onde nos olha e nos canta em livros-matéria palavras claras do ar estou vivo e escrevo antônio ser de bege areia e das palavras a ouro
alumia teus poetas desgraçados mas com olhos ainda brilhantes de restarem vivos segurando o mastro ou arado do que deve ser falado ousado dizer quem vai crer? poetas, ovnis, vos sou sol vinde à nós criancinhas numa viagem através duma nebulosa estamos vivos e escrevemos sol leva de nós grande abraço para antônio em agradecimentos

domingo, 5 de junho de 2016

sobre o poema

Num poema, se nos perguntamos porque é que tal palavra está em tal sítio, e se há uma resposta, ou o poema não é de primeira ordem, ou o leitor nada compreendeu. Se podemos legitimamente dizer que a palavra está ali para exprimir tal ideia, ou para a ligação gramatical, ou para a rima, ou para uma aliteração, ou para preencher o verso, ou para uma certa coloração, ou mesmo por vários motivos desse género ao mesmo tempo, houve busca de efeito na composição do poema, não houve verdadeira inspiração. Para um poema verdadeiramente belo, a única resposta é que a palavra está ali porque convinha que estivesse. A prova dessa conveniência é que ela está ali e o poema é belo. O poema é belo, quer dizer que o leitor não deseja que seja outro. 

Simone Weil

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Narração

teresa burgos
o cenário tem uma beleza narrativa.
ceifa-se a narração fica só

só com si e
com sol.

toda narrativa humana é ínfima
como todo o átomo é ínfimo
e o átomo íntimo é só o que vai guardar
toda a sua narrativa, ó indivíduo.

podes me narrar, podemos nos narrarmos
mas sempre será mais que isto.

depois da embriaguez do vinho,
dos cimos de thc, um milhar de baseados,
pílulas, partículas,
livros e outras miríades narrativas
dê-me ó deus aos teus
o conforto desta ânsia de
por uma molécula dmt
ir ter certeza contigo em teu segredo no
óh, mais alto orgasmo estelar!

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Enxergo a égua parida

michele cunha
enxergo a égua parida
e tudo acende

o mundo trota cabisbaixo
o homem que era tão alto
corcundou

a vaca quer ir lá mas tá a cerca ali
o párida que andar pro norte mas há fronteira lá
o viandante me recusa o livro pois quer pão

não não não
e sim

enxergo a égua parida
e tudo ascende

terça-feira, 3 de maio de 2016

Flores tais

Raymond Booth
oferto flores tais
como tú
que é mais que elas
por dar a elas afeição

sou  aquele que aquém
lhe estende um buquê
de flores não colhidas
cujos
caules deixei à terra
as flores no cimo
soam tão agradecidas

se as arrancasses, deus!
morria o amor que é vivo
por ser nosso
delas
da terra inteira, pro nosso olhar
admirar

sábado, 27 de fevereiro de 2016

prestes a plantar

- a brisa ventou antigamentes.

(não sei se esta frase é minha ou de algum poeta falecido.)

ezra pound disse:
- prestem atenção à condução tonal das vogais.

eu disse:
- prestem pra plantar altas tonais florestais.

- ergo leve. quero ir junto.
assim disse zaratustra,
quando a brisa o ventou antigamentes.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Fazer com palavras o que deus faz com cristais

















Vou andando a pé
que a fé se acostuma a voar.


Você vai dar crença que
O pé na fé costuma bailar.

É necessário devolver a fé aos ares.
Ela volta a correr por você, acrescida.
Traz outros sons. Amplifica audição.

Um banho de lua vazia e é confortável a capa-carcaça que se investe de sabedoria.

Remédio para rendição é
0 gota de pré-ocupação 

(a ação repousa nisso)
Fluir livre respiração (que é da terra por ela)
Suspende a ação, pára e alisa a ação.
Pode ser em qualquer posição.
Não importa o que se tem no bucho. Sem gazes é melhor :-)
Importa atentar palpitação do pulsar do ir do fluir e ir...


O lugar
(Tá tão longe que é íntimo.
Tá tão perto que escapa.
Tá tão sóbrio que tremula.)

É saúde no único que há.

Harmonia que é conceção:
Meio pé no passado, uma mão extensa ao futuro.
Nenhum dó no passado, nenhuma ilusão, extenso presente. 

Aqui e dentro e lá bem longe onde
Há tudo 
e que engloba o que existe e que sempre gira dentro de uma hemoglobina e aos redores.

Passeio energético por onde e onde quer que nós estejamos.


Vêm de cima e dos demais lados. Espiritual materializado é amor que te envio pronde quer que você esteja. É meu porque te dei. Recebi. Dá sentido, têm brilho e vêm por determinação. Depois do amor o mar é imenso e o céu longínguo.

Sondo outra frequência. Um fio me sendo aqui e eu, ainda senda, que quero tão longo que alcanço estrelas. Giro e circundo palavras que se jogam em teclas (ou) jorram em papéis -  que eram folhas e que viraram recipiente de reais. Talvez ajude aos demais.


Toma que é teu. 
Tomara seja novo.
Tomara, há alegria.
Sou ser de torcida. Há melhor.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Buscas na fria plenitude o que tens de sobra no teu ninho

Escrever. De repente
rompe-se a solidão.
Quem vem?
Quem me acompanha?
Fique aqui comigo
você que manda e se manda...

Um galo cantou no escuro
um eco tecendo
o balão da madrugada.