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| Estrela da manhã, estrela da tarde, estrela da noite, estrela do tempo inteiro, da vida inteira, fixa, imutável, pairando sobre o poeta. (Carlos Drummond de Andrade) |
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Aos náufragos
Almafuerte
Perdoem-me a algaravia:
escrevo ao tempo em que
trepo a madressilva
que dá ao belvedere.
Olhe! Lá há uma púnica.
- frutos de ventre rosa -
Óh! Uma pira ali.
- fuego de alma fuerte -
ao redor donde homens
desfilam suas porfias,
fátuos & antigamentes.
Dera fossem pó ou poema e só dançassem.
escrevo ao tempo em que
trepo a madressilva
que dá ao belvedere.
Olhe! Lá há uma púnica.
- frutos de ventre rosa -
Óh! Uma pira ali.
- fuego de alma fuerte -
ao redor donde homens
desfilam suas porfias,
fátuos & antigamentes.
Dera fossem pó ou poema e só dançassem.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
História
é o grito do meu ancestral mais antigo
na minha garganta
hoje
Pedro Rocha
na minha garganta
hoje
Pedro Rocha
sábado, 12 de setembro de 2015
O grande príncipe
Talvez te seja difícil receber o esposo de carne na tua casa, mas há presenças mais fortes.
Te hei-de visitar. Não tenho necessidade de me dar a conhecer, Sou laço do império e inventei-te uma oração. Sou fecho de abóboda de um certo gosto das coisas. E ligo-te.
Não quero que fiques deserta na tua perfeição. Farte-ei despertar para o fervor. Que dá e nunca retira nem reivindica propriedade ou presença.
O poema é belo por razões que não pertencem à lógica, já que se situa em outro andar.
Antoine de Saint-exupéry
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Laranjas
faça como eu não faço como ninguém
se quero acreditar em deus
faço suco das laranjas e tomo
se não existir deus, como existe a delícia?
se quero acreditar em deus
faço suco das laranjas e tomo
se não existir deus, como existe a delícia?
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Vestido balança pedido
Vento que à tudo que à todos balança
Perpassa-nos com sua grande mão imensa
nas quais carrega o aroma do incenso e abraça e abrasa e enleva o liberto
e principalmente o andarilho que deambula.
Leve-nos leves para onde não neve e serve
Sopre-nos o ar manso, etéreo e firme, força com o qual balança as águas, move dunas e que vem e traz nuvens e maresia.
E vai. E volte.
A amenizar o calor, que o que presta nesse mundo é sombra de árvore
e abundante água fresca.
Preencha tudo e todos desse amor de que é feita a água fresca, você que visita as fontes e cascatas e as falésias e os interiores. E, pedindo demais
Levantai-nos leve
livres leves, alive, pro amor
agora mesmo, não é só supor
agora
carregue nosso esquecimento. Trouxe enovelada esta flor. Apraz te ouvir, vento. Nos aprontar e seguir. Despir pra sentir teu tento. Adentrai futuro amorosamente ansiado. O Sol, o velho sol de primavera vem vindo, ventando e rindo. Invenção de um deus que gosta de percorrer espaços e cria espaços de percorrer.
Deambulante? Dizem que ele tem um plano...
Perpassa-nos com sua grande mão imensa
nas quais carrega o aroma do incenso e abraça e abrasa e enleva o liberto
e principalmente o andarilho que deambula.
Leve-nos leves para onde não neve e serve
Sopre-nos o ar manso, etéreo e firme, força com o qual balança as águas, move dunas e que vem e traz nuvens e maresia.
E vai. E volte.
A amenizar o calor, que o que presta nesse mundo é sombra de árvore
e abundante água fresca.
Preencha tudo e todos desse amor de que é feita a água fresca, você que visita as fontes e cascatas e as falésias e os interiores. E, pedindo demais
Levantai-nos leve
livres leves, alive, pro amor
agora mesmo, não é só supor
agora
carregue nosso esquecimento. Trouxe enovelada esta flor. Apraz te ouvir, vento. Nos aprontar e seguir. Despir pra sentir teu tento. Adentrai futuro amorosamente ansiado. O Sol, o velho sol de primavera vem vindo, ventando e rindo. Invenção de um deus que gosta de percorrer espaços e cria espaços de percorrer.
Deambulante? Dizem que ele tem um plano...
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Secreta
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| Gisele Fagundes |
já não vem
ocorre uma mariposita vir me lamber o suor
antes a glândula secreta sal
(ela acha mel)
agora é noite, anotarei novos momentos
ainda não veio uma vaca me roçar
estaria feliz se viesse
também não estou triste
de manhã acho que olhei sargaços
um cachorro cismou comigo
o vento quis me arrancar cabelos
agora é quase tarde
há pouco ele voltou
15:33 o beija-flor esteve aqui
guarde este segredo
algo vai acontecer
sábado, 18 de julho de 2015
Fez-se do mar
sei de ti
uma
única
palavra - que não digo
sei de mim
um
calhamaço - não escrevo
nada valem - tão efêmero é ser
dois somos silêncios
um cardaço sine qua non
sem sumo, nem título
restos de terra e mar
sei do mundo a circunferência
que não vejo - desenho
(deus, não vejo! pudera?)
sei sobre tudo nada
então não conte
fiquemos quietos reinantes parados parentes inertes e somos mais
imenso
você título talvez
eu conteúdo
ninguém vai ler
contudo
acontecemos
e temos uma capa bonita
como a rosa - vermelha
como a rosa que ilustra a capa vermelha do livro do António Ramos Rosa
como as unhas vermelhas que pintei pra caso te ver, ou te ler, ou te escrever,
pra caso te ser,
não sei.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Não sei fazer arco íris
Não sei fazer arco íris e este momento me é engolido como a um espinho que fincasse agudo, demasiado fundo, na garganta. Nem desce, para que digira, nem cuspo como se faz se fosse um gosto ruim. Como fazer para que saia? Alimento ilusão de que se esvaia se venho tratar contigo disto.
Se sentes frio um casaco ou abraço dão alívio. Se tens fomes, comes e eis que estais bem. Nada tratará isto que sinto ao engolir a incapacidade. Penso que a surdez fosse bom e agradeço o tampão de cera. Sinto que morrer não soluciona e nascer deu tanto trabalho. Preferia um engasgo que ao soco nas costas resolvesse. Mas não, não.
Não sei que fazer com as mãos. Nem que mil crianças me dessem as suas e fizessem festa ao olhar, levantaria-o. Solo, terra, rocha são os que vejo. Nem que teus raios de sol, óh deus qualquer, num verve descessem para salvarem-me, não daria à ti um só mistério meu, já que não me deu a ternura de fazer arco íris.
O fato que me veste cinza, que me fez engolir é momentâneo e é deste traje que trato. Não me dispo para que me salve. Nem me visto pra que aplauda. Quero só ser pequena ao ponto do tamanho do grão cósmico. Caber exato em tua palma de mão. Se me apertas muito me abro. Queria ser ar, tão alto ar que nem servisse ao teu respiro. Vou querer volver à deus e deixar de ser eu, não deu. Só porque o céu tem esse azul assim bonito que me encorajo a escrever no ar daqui tais palavras. Não sei fazer arco-íris.
Se sentes frio um casaco ou abraço dão alívio. Se tens fomes, comes e eis que estais bem. Nada tratará isto que sinto ao engolir a incapacidade. Penso que a surdez fosse bom e agradeço o tampão de cera. Sinto que morrer não soluciona e nascer deu tanto trabalho. Preferia um engasgo que ao soco nas costas resolvesse. Mas não, não.
Não sei que fazer com as mãos. Nem que mil crianças me dessem as suas e fizessem festa ao olhar, levantaria-o. Solo, terra, rocha são os que vejo. Nem que teus raios de sol, óh deus qualquer, num verve descessem para salvarem-me, não daria à ti um só mistério meu, já que não me deu a ternura de fazer arco íris.
O fato que me veste cinza, que me fez engolir é momentâneo e é deste traje que trato. Não me dispo para que me salve. Nem me visto pra que aplauda. Quero só ser pequena ao ponto do tamanho do grão cósmico. Caber exato em tua palma de mão. Se me apertas muito me abro. Queria ser ar, tão alto ar que nem servisse ao teu respiro. Vou querer volver à deus e deixar de ser eu, não deu. Só porque o céu tem esse azul assim bonito que me encorajo a escrever no ar daqui tais palavras. Não sei fazer arco-íris.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
e sei que piso um astro
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| Luis Ricardo Falero |
porque a terra é única e ninguém a engana
áspera e dura suave e sempre nova
por ela levanto este archote de resina ou de sal em chamas
porque nela renasço como tudo renasce e sou uma árvore
com o pulso de argila
ou uma onda vibrante do seu peito profundo
o clamor monótono de suas entranhas vermelhas
...
eu sou o homem renascido que vê a rosa viva do mundo
e sei que piso um astro e estou no círculo da metamorfose ardente
tudo é possível porque sou o fogo amante
...
ela é um barco ou animal de terra e sangue
é o músculo do mar em pleno estio
é o desejo do oásis o oásis do desejo
...
o seu andar de adolescente marinha desenha sobre a areia o voo de um pássaro
António Ramos Rosa
terça-feira, 19 de maio de 2015
Choque, ruína e síncope.
Por favor não editem meus livros.
Não os quero corrigidos.
Não os quero prensados,
costurados, constrangidos, grampeados.
No fundo nem os quero comprados
- mas te faço e envio um a 14 reais.
Não os quero presos nas prateleiras ou encalhados no fundo das caixas que fedem papelão. Não os quero presos nas fendas do orgulho ou da breve situação.
Não quero que a vizinha me veja na televisão, nunca, não.
Deixa-me ser esta incógnita que leva os filhos à praça à lamberem sorvetes de frutas quando é verão e que no fim do mês tem de ir ao supermercado.
Por favor sr. editor esqueça hoje mesmo o email que mandei ontem. Apertei "enviar" mas era gatilho. Não poderei dizer de mim que sou bonita ou eu mesma ou que fui esperta e sorrir sem ser a vez. Não sei reagir à elogios e à qualquer tipo de crítica inundar-me-ão mil lágrimas e o colapso. Ou síncope, é certo.
Não quero autografar montanhas de pilhas de livros rigorosamente iguais para uma fila dos que possam estar apenas atrás de algo expresso. Dói-me o pulso pensar as assinaturas corridas e é certo que me servirão água engarrafada plasticamente. Tudo meu precisa de ar tipo atmosférico. O que sai de mim é natural: estou à beira da cachoeira escambando livros por pedras solares ou peixes frescos.
Não os quero corrigidos.
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| img.: Victor Pacini |
costurados, constrangidos, grampeados.
No fundo nem os quero comprados
- mas te faço e envio um a 14 reais.
Não os quero presos nas prateleiras ou encalhados no fundo das caixas que fedem papelão. Não os quero presos nas fendas do orgulho ou da breve situação.
Não quero que a vizinha me veja na televisão, nunca, não.
Deixa-me ser esta incógnita que leva os filhos à praça à lamberem sorvetes de frutas quando é verão e que no fim do mês tem de ir ao supermercado.
Por favor sr. editor esqueça hoje mesmo o email que mandei ontem. Apertei "enviar" mas era gatilho. Não poderei dizer de mim que sou bonita ou eu mesma ou que fui esperta e sorrir sem ser a vez. Não sei reagir à elogios e à qualquer tipo de crítica inundar-me-ão mil lágrimas e o colapso. Ou síncope, é certo.
Não quero autografar montanhas de pilhas de livros rigorosamente iguais para uma fila dos que possam estar apenas atrás de algo expresso. Dói-me o pulso pensar as assinaturas corridas e é certo que me servirão água engarrafada plasticamente. Tudo meu precisa de ar tipo atmosférico. O que sai de mim é natural: estou à beira da cachoeira escambando livros por pedras solares ou peixes frescos.
terça-feira, 12 de maio de 2015
sábado, 9 de maio de 2015
Inerme
Adjetivo
Que não tem armas ou meios de defesa.
Botânica
Que não tem acúleos ou espinhos.
Zoologia
Diz-se do animal sem ferrão, bicos, pontas: tênia inerme.
Que não tem armas ou meios de defesa.
Botânica
Que não tem acúleos ou espinhos.
Zoologia
Diz-se do animal sem ferrão, bicos, pontas: tênia inerme.
Da arte de escrever do cume calmo
Escrevem através do conhecimento pessoal, e portanto empregam suas mentes concretas na tarefa de estabelecer este conhecimento em termos que revelarão a verdade àqueles que têm olhos para ver, e contudo ocultarão aquilo que for perigoso, do curiosos e do cego. Esta é uma tarefa difícil de cumprir, porque a mente concreta expressa o abstrato de maneira muito inadequada e, na tarefa de incorporar a verdade às palavras, muito do verdadeiro significado se perde.
Alice Bailey
Alice Bailey
Para dentro e para todos
tem uma parte - por dentro é azul
não é vista ou tocada nem sentida
mas é a que mais tem, existe e é.
pode ser telegrafada
- não por telégrafo!
para ir tem que rasgar o céu
ou cair.
não é vista ou tocada nem sentida
mas é a que mais tem, existe e é.
pode ser telegrafada
- não por telégrafo!
para ir tem que rasgar o céu
ou cair.
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