Tenha tú cuidado em não perturbar, nem numa nota, o silêncio
desta tarde. desta tarde é mestre o silêncio.
Rege maestro a orquestra das faltas de ânsias.
Olhe como é grande. Ouça, nada diz.
Nem uma ideia. Pousa calma a imaginação.
Deita-se a inteligência. Veja: Virginia Woolf.
Acentue a falta de ruídos, calai vós.
domingo, 16 de novembro de 2014
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
O que não foi escrito
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Do que quero falar
Venho falar das coisas que penso, que quero dizer mas não digo. Mas penso, e isto já é grande coisa. E penso com a consciência que é maior que o pensamento. Uso esse corpo mas meu espírito é livre e viaja com os ventos. Só porque o céu tem esse azul tão bonito que me encorajo a escrever no ar tais palavras que serão ditas.
Quem fica dizendo que não vota e só fala em eleição não está livre das dicotomias. O super-homem do Nietzsche não exalaria vapores envenenados. No mais só o vapor das brumas ou de alguma boa erva queimando. E que fique dito que falo isso com um cigarro entre dedos. Não estou isenta. Meu voto é sempre em trânsito: achei bom pretexto para viajar. Os carros de som ditando seus dogmas de religião imbuída da política obriga-nos a pôr um Jorge Ben Jor pra cantar. E a dançar.
Quem fica dizendo que não vota e só fala em eleição não está livre das dicotomias. O super-homem do Nietzsche não exalaria vapores envenenados. No mais só o vapor das brumas ou de alguma boa erva queimando. E que fique dito que falo isso com um cigarro entre dedos. Não estou isenta. Meu voto é sempre em trânsito: achei bom pretexto para viajar. Os carros de som ditando seus dogmas de religião imbuída da política obriga-nos a pôr um Jorge Ben Jor pra cantar. E a dançar.
terça-feira, 7 de outubro de 2014
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Botânica
escrevia
poesia
quando uma folha
por morrer
pela janela
veio à mim
não escrevi mais
uma folha a morrer
é tão melhor
que calo
não sou eu quem dirá o segredo
impresso na nervura de uma folha
mordida voando à decomposição
poesia
quando uma folha
por morrer
pela janela
veio à mim
não escrevi mais
uma folha a morrer
é tão melhor
que calo
não sou eu quem dirá o segredo
impresso na nervura de uma folha
mordida voando à decomposição
domingo, 14 de setembro de 2014
Porquanto o homem iça a vela
Vocês aí não sabem a causa dos mares tantos respeitarem estas largas faixas litorâneas, aquelas emergentes ilhas de luminâncias, algum veleiro mais toda a sorte de embarcação, aquele toco que boia, os corpos do naufrágio?
Não será pois porque cintilam em seus ouvidos de concha côncava toda a míriade de poemas, odes, idílios, compostos e erguidos à tanta imensidão azul. Pois a palavra azul mora abissal mas quebra em branca onda quando encontra a reunião de areia ínfima que de tanta e junta é bege e a respeita desenhando o fronteiriço, margem continental.
Vento e volta.
Pois palavras mil em ordem e ritmo destinados nadam à teu horizonte longínquo, lá onde a vista alcança mas as mãos não.
Talvez a voz sim.
Porquanto o homem iça a vela.
Por isto estou cá e tú aí erguido e a palmeira ao alísio dance
... e talvez eis a explicação de tudo de tantos mares respeitarem estas largas faixas litorâneas, aquelas emergentes ilhas de luminâncias, algum veleiro mais toda a sorte da canoa, aquele troço que boia, os copos do naufrágio, a garrafa, o conter das baleias, o caber nas baías, a balela dos piratas, a única verdade audível, o invisível que há
Não será pois porque cintilam em seus ouvidos de concha côncava toda a míriade de poemas, odes, idílios, compostos e erguidos à tanta imensidão azul. Pois a palavra azul mora abissal mas quebra em branca onda quando encontra a reunião de areia ínfima que de tanta e junta é bege e a respeita desenhando o fronteiriço, margem continental.
Vento e volta.
![]() |
| Jorge Gonzáles |
Talvez a voz sim.
Porquanto o homem iça a vela.
Por isto estou cá e tú aí erguido e a palmeira ao alísio dance
... e talvez eis a explicação de tudo de tantos mares respeitarem estas largas faixas litorâneas, aquelas emergentes ilhas de luminâncias, algum veleiro mais toda a sorte da canoa, aquele troço que boia, os copos do naufrágio, a garrafa, o conter das baleias, o caber nas baías, a balela dos piratas, a única verdade audível, o invisível que há
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
O astronauta e a abóboda
o teu sorriso aberto
uma folha em branco
ainda mais branca sob a luz
aí reflete a idéia de teus braços
também abertos.
teimo em viver
esse sol sentido cá da terra - tão quentinho
eu cá
pequenino
em meu cantinho
querendo ver deus ou anjo
mas ainda vejo poucas cores
e muitas borboletas
que dizem diretamente à alma
que quardam, não secretamente
a potência de erguer-se ao solo e sobrevoar
sobre ver
e volver à nascer cá
planeta monolunar dentre as mais belas esferas
uma folha em branco
ainda mais branca sob a luz
aí reflete a idéia de teus braços
também abertos.
teimo em viver
esse sol sentido cá da terra - tão quentinho
eu cá
pequenino
em meu cantinho
querendo ver deus ou anjo
mas ainda vejo poucas cores
e muitas borboletas
que dizem diretamente à alma
que quardam, não secretamente
a potência de erguer-se ao solo e sobrevoar
sobre ver
e volver à nascer cá
planeta monolunar dentre as mais belas esferas
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Uma idéia toda amarela
Num quarto de ideias de teto alto
Tem-se ao centro deste uma luminária
Cujo amarelo da lâmpada faz parecer
Um sol pleno à meia noite
Em seu ar, éter
e sabe-se mais o quê
Um relógio batendo tempo igual
ao meu coração batendo dentro
do mundo o eterno momento
Nesta fusão de agora
nesse quarto em questão
que na noite que sinto
guardei o sono.
O sonho extrapola lá fora. Por hora a vigília me tem atenta
ao topo das ideias que permeiam este recinto
até ao alto teto e deste afora
céu miríade de estrelas sobre a lâmpada - um teorema.
Por ela tentei o poema.
De seus raios partiram toda a senda de uma ideia tosca toda amarela.
De unhas vermelhas escrevo porque quis que o belo tivesse vez.
Quis que o verso fizesse sentido. Quero ter este quarto como a um vestido.
Cheiro a colcha, é quase jasmim. Que concha parece o ouvido! À ti deito-me.
Sim.
Tem-se ao centro deste uma luminária
Cujo amarelo da lâmpada faz parecer
Um sol pleno à meia noite
Em seu ar, éter
e sabe-se mais o quê
Um relógio batendo tempo igual
ao meu coração batendo dentro
do mundo o eterno momento
Nesta fusão de agora
nesse quarto em questão
que na noite que sinto
guardei o sono.
O sonho extrapola lá fora. Por hora a vigília me tem atenta
ao topo das ideias que permeiam este recinto
até ao alto teto e deste afora
céu miríade de estrelas sobre a lâmpada - um teorema.
Por ela tentei o poema.
De seus raios partiram toda a senda de uma ideia tosca toda amarela.
De unhas vermelhas escrevo porque quis que o belo tivesse vez.
Quis que o verso fizesse sentido. Quero ter este quarto como a um vestido.
Cheiro a colcha, é quase jasmim. Que concha parece o ouvido! À ti deito-me.
Sim.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Safira
![]() |
| PICASSO |
dar a volta e volver fora de mim.
E então vais voejar os séculos
estudar os mistérios nas criptas cardio
e demais não nos podem contar
Devolver-se-há à mim revolto
parado erguido de pé ante a vida
revolvido, resolvido
pé diante e a trilha
a destecer o tédio em deslumbre
a relaxar os músculos todos
descansar as fibras
de face nova serei devolvida
resolvida, dissolvida
farei honras à viagem
que fiz sem arrancar nem uma única flor
digo que plantei uma árvore e não foi pouco
que dei de ir volátil e voltei
safira
Reflexão sobre o reflexo na poça
o céu nunca é o mesmo
nem nós haveríamos de sê-lo
acordei perdido de quem ontem fui
caminho por pés e pernas
bambas, firmes, distraídas
desviadas dos jardins espontâneos
que surgem não aleatórios, por aí
essas coisinhas pequeninas de esperança
focalizam minha visão, pura e criança
na luz majestosa que se dá na vala negra
aí perdi o poema que tecia
ali no brilho do sol na vala negra
que disse muito mais que o que tento
eu antena espectadora do movimento
de um ser muito maior que eu, por onde venho
aonde hei de volver e que insiste em mostrar sinais de onde sou
eu, terra visor de paisagens eternas que se mudam e a mim
eu, terra, pouso de sonhos esmaecidos e vivos ainda assim
nem nós haveríamos de sê-lo
acordei perdido de quem ontem fui
caminho por pés e pernas
bambas, firmes, distraídas
desviadas dos jardins espontâneos
que surgem não aleatórios, por aí
essas coisinhas pequeninas de esperança
focalizam minha visão, pura e criança
na luz majestosa que se dá na vala negra
aí perdi o poema que tecia
ali no brilho do sol na vala negra
que disse muito mais que o que tento
eu antena espectadora do movimento
de um ser muito maior que eu, por onde venho
aonde hei de volver e que insiste em mostrar sinais de onde sou
eu, terra visor de paisagens eternas que se mudam e a mim
eu, terra, pouso de sonhos esmaecidos e vivos ainda assim
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Cartaz na beira da estrada
Deixe aqui pastar o teu cavalo.
Deixe-o aqui a desenhar um passeio.
Empresta-nos teu fiel jardineiro que nada lhe cobramos em torno e a água é por nossa conta e do céu.
Deixe que a terra do nosso quintal sinta a força das passadas do teu grande animal. As árvores frutificam mais se há mais a quem deva servir frutos. Deixe, que aqui comerá goiabas, mangas, folhas de aipim, cheirará o solo a cata de amêndoas e num momento parará à sombra para repousar.
Logo se movimentará, aguarde que verá. Voltará a sua função de dar à terra uma roupa verde orvalhada, mastigando os excessos das pontas do capim. Quanto à nós teremos a penugem dos gramados, recortados os arbustos, construídos os caminhos eis o chão que nos limpa os sapatos e nos desfila variados insetos. Miríades borboletas.
Deixe aqui seu cavalo e receba nossa gratidão.
Deixe-o aqui a desenhar um passeio.
Empresta-nos teu fiel jardineiro que nada lhe cobramos em torno e a água é por nossa conta e do céu.
Deixe que a terra do nosso quintal sinta a força das passadas do teu grande animal. As árvores frutificam mais se há mais a quem deva servir frutos. Deixe, que aqui comerá goiabas, mangas, folhas de aipim, cheirará o solo a cata de amêndoas e num momento parará à sombra para repousar.
Logo se movimentará, aguarde que verá. Voltará a sua função de dar à terra uma roupa verde orvalhada, mastigando os excessos das pontas do capim. Quanto à nós teremos a penugem dos gramados, recortados os arbustos, construídos os caminhos eis o chão que nos limpa os sapatos e nos desfila variados insetos. Miríades borboletas.
Deixe aqui seu cavalo e receba nossa gratidão.
domingo, 10 de agosto de 2014
Fábula
esse passo que damos e o horizonte
esse pouco que somos e tudo que buscamos conhecer
esse pasmo em tudo que ousamos ainda tem
esse lodo que temos colados aos pés por cima tudo aquilo que não está ao alcance da mão
tudo o que em nós é pouco nos quer mais
tudo o que em nós é homem quer ter deus
tudo que em nós teme quer coragem
esse pouco, naufragar, desabar e pó
tudo isso que nos contam de nós e que nos quer fabulosos
essa guerra, o tamanho da ira, querendo-nos como?
tudo que não está ao alcance das mãos pode vir a ter-nos de mãos postas
não sobrepostas, postas
postas, não prostradas
se os pés descalços levitarem ao lodo do qual crescemos
do barro aprendemos
e no impulso de um vôo
pés alados - mãos extensas
eis
quase morro
pés alados, mãos extensas a
pegar o sonho e moldar em matéria divina condensada
a única disponível, estelar
essa que temos por densa, por nós que somos homem
constituídos por átomos, mônada, moléculas
construídos por quem? por onde?
pegar as mãos extremas aos braços e costurar na matéria as linhas sutis da
fina seda retirada de metais incandescentes, cristais, cintilas, miríades
mãos potentes
levantar os pés
é outra dimensão - que susto
esse pouco que somos será tudo que há
e o que formos será
em alguns tomos será
mais alguns tombos será
ajuste no foco e terá
quem ajusta é o coração
os olhos só veem fora
hora de alar os olhos
torná-los clarividentes a visão desse deus além
que nos quer bem, esse pai
se queremos além alçar-nos
nós, os homens de hermes
que lembramos de deus só por ver a lua
só por vermos sol
sós, imensos e ínfimos
nós viventes do corpo denso terra
planeta raio azul
esse pouco que somos e tudo que buscamos conhecer
esse pasmo em tudo que ousamos ainda tem
esse lodo que temos colados aos pés por cima tudo aquilo que não está ao alcance da mão
tudo o que em nós é pouco nos quer mais
tudo o que em nós é homem quer ter deus
tudo que em nós teme quer coragem
esse pouco, naufragar, desabar e pó
tudo isso que nos contam de nós e que nos quer fabulosos
essa guerra, o tamanho da ira, querendo-nos como?
tudo que não está ao alcance das mãos pode vir a ter-nos de mãos postas
não sobrepostas, postas
postas, não prostradas
se os pés descalços levitarem ao lodo do qual crescemos
do barro aprendemos
e no impulso de um vôo
pés alados - mãos extensas
eis
quase morro
pés alados, mãos extensas a
pegar o sonho e moldar em matéria divina condensada
a única disponível, estelar
essa que temos por densa, por nós que somos homem
constituídos por átomos, mônada, moléculas
construídos por quem? por onde?
pegar as mãos extremas aos braços e costurar na matéria as linhas sutis da
fina seda retirada de metais incandescentes, cristais, cintilas, miríades
mãos potentes
levantar os pés
é outra dimensão - que susto
esse pouco que somos será tudo que há
e o que formos será
em alguns tomos será
mais alguns tombos será
ajuste no foco e terá
quem ajusta é o coração
os olhos só veem fora
hora de alar os olhos
torná-los clarividentes a visão desse deus além
que nos quer bem, esse pai
se queremos além alçar-nos
nós, os homens de hermes
que lembramos de deus só por ver a lua
só por vermos sol
sós, imensos e ínfimos
nós viventes do corpo denso terra
planeta raio azul
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
os cimos emergem
sentidos radiantes
profundo despertar em calma liquidez
abertura tão longa e verde
as palavras dizem finalmente as legendas do longínquo
por toda a parte frémitos florescências
as superfícies serenas respondem
uma outra orientação mais ligeira mais livre
libertou-me da névoa habitual
os cimos emergem
Antonio Ramos Rosa
profundo despertar em calma liquidez
abertura tão longa e verde
as palavras dizem finalmente as legendas do longínquo
por toda a parte frémitos florescências
as superfícies serenas respondem
uma outra orientação mais ligeira mais livre
libertou-me da névoa habitual
os cimos emergem
Antonio Ramos Rosa
sábado, 2 de agosto de 2014
Jóquei
Matilde Campilho
Assinar:
Postagens (Atom)





%2Bde%2Bpicasso.jpg)

