Lera poemas escutara canções apaixonou-se verdadeiramente totalmente integralmente por outro além de si daí todos os poemas todas as canções eram outras.
Foi preciso ouvir tudo de novo. Uma trabalheira.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Perplexa
Como se o que houver puder ser dito
preciso disso
ir ali tomar um ácido
pra lá buscar
a palavra
que explica
Tive de ir
à rua perplexa
procurar a palavra
A noite fresca estala
algo inominável que trazia antigamentes
Caminhei devagar desvirando poças
ignorando sermões
Torcia pra nuvem sair e deixar brilhar
lua até aqui
Voltei com cigarros acessos
Mãos dadas à um fantasma
Colhi o poema
Salva, escrevi.
Se consegui dizer o que queria?
É preciso decifrar
O mistério é maior do que pode ser dito
e todos os poetas já disseram isto.
preciso disso
ir ali tomar um ácido
pra lá buscar
a palavra
que explica
Tive de ir
à rua perplexa
procurar a palavra
A noite fresca estala
algo inominável que trazia antigamentes
Caminhei devagar desvirando poças
ignorando sermões
Torcia pra nuvem sair e deixar brilhar
lua até aqui
Voltei com cigarros acessos
Mãos dadas à um fantasma
Colhi o poema
Salva, escrevi.
Se consegui dizer o que queria?
É preciso decifrar
O mistério é maior do que pode ser dito
e todos os poetas já disseram isto.
Pros que vêm
antónio ramos rosa
maiakovski guimarães
herberto helder allen ginsberg baudelaire
joão cabral mello neto eugenio andrade rubem
alves
murilo mendes
manoel de barros
virginia woolf carlos
drummond de andrade alejandra pizarnik hilda hilst
cecília meireles annas helenas
tão todos mortos por aí
ex, tão mortos, tudo aí
maiakovski guimarães
herberto helder allen ginsberg baudelaire
joão cabral mello neto eugenio andrade rubem
alves
murilo mendes
manoel de barros
virginia woolf carlos
drummond de andrade alejandra pizarnik hilda hilst
cecília meireles annas helenas
tão todos mortos por aí
ex, tão mortos, tudo aí
Se viesses verias quê cheiro têm ambas mãos minhas
se viesses verias
quê cheiro têm
ambas mãos minhas
agora mesmo
são
aroma de
sangue verde
dos ramos
dos girassóis
que extirpei
pois teimavam ocupar teu lugar à cama
quê cheiro têm
ambas mãos minhas
agora mesmo
são
aroma de
sangue verde
dos ramos
dos girassóis
que extirpei
pois teimavam ocupar teu lugar à cama
domingo, 20 de dezembro de 2015
Milhões de crianças em mil mundos
o pensamento que emerge letra silaba palavra frase
sobre
a superfície branca ou pedra ou areia ou madeira
ou mármore
há de ser
límpido
caso haja emergido pós ruido de homem
que sobe
o altar granito da igreja
fala e se farta dos aplausos dos outros
que lhe fazem coro
há de se esperar passar o rancor maledicente
para o pensamento nascer vívido e só morra
se ouvido muito lá pela frente
por outro tipo, homem mais parecido a grilo
que substitui a palavra pelo sibilo rente
não há o que ser dito em tempo assim
cheio de nuvem defronte à tua testa
enrugada
cheio de cheias
e teias ignoradas
nem há o que rogar ante os equívocos
uníssonos desses passos tantos pr´onde?
há crianças que brincam e isto há de salvar o mundo imundo
limpidar valas tem umas que pulam no charco e isto há de ressuscitar rios
outras cujos risos abrem janelas encerradas
devemos deixar fantasmas felizes
e quebrar tijolo por tijolo o tempo
quedar o templo que nos inibe ser quem somos
rasgar
o pano que impele asfixia aos poros
lamber os pomos da natureza com pudor
limpar os acordes das notas estúpidas
beijar a boca de nosso senhor jesus
com amor
ou isso ou fico surdo ou mudo
morrer não posso
sobre
a superfície branca ou pedra ou areia ou madeira
ou mármore
há de ser
límpido
caso haja emergido pós ruido de homem
que sobe
o altar granito da igreja
fala e se farta dos aplausos dos outros
que lhe fazem coro
há de se esperar passar o rancor maledicente
para o pensamento nascer vívido e só morra
se ouvido muito lá pela frente
por outro tipo, homem mais parecido a grilo
que substitui a palavra pelo sibilo rente
não há o que ser dito em tempo assim
cheio de nuvem defronte à tua testa
enrugada
cheio de cheias
e teias ignoradas
nem há o que rogar ante os equívocos
uníssonos desses passos tantos pr´onde?
há crianças que brincam e isto há de salvar o mundo imundo
limpidar valas tem umas que pulam no charco e isto há de ressuscitar rios
outras cujos risos abrem janelas encerradas
devemos deixar fantasmas felizes
e quebrar tijolo por tijolo o tempo
quedar o templo que nos inibe ser quem somos
rasgar
o pano que impele asfixia aos poros
lamber os pomos da natureza com pudor
limpar os acordes das notas estúpidas
beijar a boca de nosso senhor jesus
com amor
ou isso ou fico surdo ou mudo
morrer não posso
domingo, 6 de dezembro de 2015
Os ornitólogos
![]() |
| moondog |
sonham que
pássaros engaiolados
sonham que
voam
e cada sonho desse
assim sonhado
assim sonhado
é um poema farto que cai
enfarto
sem ser escrito
enfarto
sem ser escrito
a cada voo desse alçado
será o poema perdido
que portanto não poderá
ser lido ou escrito
por homem algum que
que portanto não poderá
ser lido ou escrito
por homem algum que
engaiola o
pássaro
ou o
ornitorrinco.
ou o
ornitorrinco.
Floresta
sabes pr´onde
vais
podemos contar?
sibila!
a floresta é o recinto onde são guardados os segredos.
inquiri!
sofre vertigem o passarinho neste ninho que balança tanto?
ah mar!
exclama o ser
insigne ermo da floresta
(o famoso ser só)
que do rio lustral colhe a palavra dulcífluo que vai docemente
ave fly
no antro há o inominável cheiro putrefato
da palavra pútrida
úmida!
vimos homem fétido lúgubre funesto fim
homília!
queremos que as flores não sejam colhidas
queremos a magia da luz das seis
e depois ver o verde
lume na bunda pirilampa
mais
queremos que o sol volte
amanhã de manhã
e fure os vãos dentre as folhas
que mil raios partam o espaço
e toquem a formiga
despontando
do cimo do
formigueiro
Treino para a poesia menos pura
rechonchudas, gordas, rubis, azedas
mas
o cheiro putrefato vem por vento
diante do que
tece-se
um manto de morte
putrefato
nutriente
não há poema que aguente putrefação
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Ah mar
por palavras peço
à terra onde respiro
perdão
por sonhar de corpo astral
que colhia brutas pedras
brilhantes
cor de
rosas transparentes
do seio mãe
das areias
da praia da terra
as guardei em sacolas
carreguei seus pesos
para o eu para os meus
as
tirei de seu
habitat
de brilhar ao sol
para as assombrar
fundo em bolsas
rogo
rezo
rodo
volver ao sonho
ir devolvê-las
uma a uma à urna livre
às suas reverberâncias
às suas casas de areias
deitá-las
deixá-las
assim tornam-se-ão mulheres melhores
sábado, 14 de novembro de 2015
Ciranda para o limiar
dali dava pra ver o tesserato não vi devo ter flanado errado pela aresta equívoca volvi ao estudos aspirei profundo respirei altíssima esperança flui lá ao vértice da terceira mas não vi a quarta mas sei que tem sei que existe há devo ter entrado pelo fundo errado volvi ao livro sentei entrei respirei fundo o erro profundo encheu me da esperança volvi e flui por cimo da terceira mas não vi flanei de volta pelo fio certo volvi respirei errei te disse não vi mas há não dá pra desenhar mas tem a quarta acreditar acreditar há flui ao cume do terceiro e do cimo de lá olhei pr´onde não é cima ou baixo ou pr´este ou pra quele lado e tinha mesmo um tesserato mas isto não quer dizer nada aqui
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Nascimentos
não há como findar
poalhas que adejam
cápsulas de sementes
futuras infrutescências
mil plantas cistáceas
miríades coisas
todos os instantes
anjos terríveis
domingo, 8 de novembro de 2015
Exortação maviosa
acostumados a estar mos
vi vo s
que esquecemos que
(morremos
de
corpos)
qual quer dia
seremos poalhas a adejar
(impalpáveis)
outros se servirão de nós para respiro
eu digo
que sou motivo
do que vai
... adiante
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Alta lembrança alada
Tive
Memória extinta de volver à deus
Não sei mais como vim ter aqui
- mistério profundo isso
Sei por ciência que colhi material de semente dúctil
Cresci e num dia nasci
(Morrer e nascer
- o que mais há nesse mundo)
Antes, entre e depois
- o mistério profundo
queira ou não queira
ninguém sabe por quê
O moço contou-me
já não posso explicar-te e
se pudesse dizer não dizia
- o mundo anda imbecil
Melhor morrer tudo junto primeiro
Nascer tudo junto, outro, depois
aí
recém nasci e não havia mais nenhum velho
pra contar a história toda
todo livro era novo campo branco de ideias vasto
- tinha vezes verde de tantas plantas
possibilidades visivelmente reais ideais os materiais
sem ais
sem mais
vou volver-me
adeus
vou-me eu alto ao Poeta,
devolvido
(Posfácio por Sophia de Mello Breyner Andresen, postado por Arsênio Meira Júnior)
Memória extinta de volver à deus
Não sei mais como vim ter aqui
- mistério profundo isso
Sei por ciência que colhi material de semente dúctil
Cresci e num dia nasci
(Morrer e nascer
- o que mais há nesse mundo)
Antes, entre e depois
- o mistério profundo
queira ou não queira
ninguém sabe por quê
O moço contou-me
já não posso explicar-te e
se pudesse dizer não dizia
- o mundo anda imbecil
Melhor morrer tudo junto primeiro
Nascer tudo junto, outro, depois
aí
recém nasci e não havia mais nenhum velho
pra contar a história toda
todo livro era novo campo branco de ideias vasto
- tinha vezes verde de tantas plantas
possibilidades visivelmente reais ideais os materiais
sem ais
sem mais
vou volver-me
adeus
vou-me eu alto ao Poeta,
devolvido
(Posfácio por Sophia de Mello Breyner Andresen, postado por Arsênio Meira Júnior)
"Aqui nesta praia onde não há nenhum vestígio de impureza, aqui onde há somente ondas tombando ininterruptamente, puro espaço e lúcida unidade, aqui o tempo apaixonadamente encontra a própria liberdade."
imgs.: Alberto Casiraghy
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Alberto Casiraghy,
Sophia de Mello Breyner Andresen
Alba cheia com verbetes florais
Lá além, ali, aqui, aquém, algures,
alguém
afundado na fundação do ego pleno de problemas e outros medos
passava sem ser
ver vastas e várias
arestas
e mais
algumas
pétalas,
rosáceas, filetes,
anteras, corolas, cálices,
invólucros, folíolos, prúmulas e primeiras flores
ainda dobradas in semente antes da próxima primavera.
Hasteava problemas alheio às
nervuras centrais, laterais, ramos,
limbos, pecíolos.
Volvido em fadas, se ver
caules, cotiledônios, prevides aos frutos, heliantos,
filiformes, anastomoses, ranúnculos,
cornaduras, trevos.
Emaranhou-se revolvo em teias,
pisou vasos tubulares vegetais
nem viu aranhas
ninguém nenhures nem um plátano.
No bolso pílulas para complicações neurais.
Sabia íntimo ser viajor mas seria em próxima vida sem dúvida
- era seu desiderato profundo.
Escrevi assim para você que queria ser
andarilho
não entender nada e
sobretudo amar.
(ainda estou escrevendo. este é um poema difícil, precisa ser estudado e está incompleto)
"Não querendo mais uma obra para trabalhar, precisava de uma para me divertir. Decidi fazer a Flora petrinsularis e descrever todas as plantas da ilha sem omitir uma só, com detalhes suficientes para me ocupar pelo resto de meus dias. Dizem que um alemão escreveu um livro sobre a casca de um limão; eu teria escrito um sobre cada gramínea dos campos, sobre as pedras; enfim, não queria deixar um fio de grama, um átomo vegetal sem descrição." Jean-Jacques Rousseau
alguém
afundado na fundação do ego pleno de problemas e outros medos
passava sem ser
ver vastas e várias
arestas
e mais
algumas
pétalas,
rosáceas, filetes,
anteras, corolas, cálices,
invólucros, folíolos, prúmulas e primeiras flores
ainda dobradas in semente antes da próxima primavera.
Hasteava problemas alheio às
nervuras centrais, laterais, ramos,
limbos, pecíolos.
Volvido em fadas, se ver
caules, cotiledônios, prevides aos frutos, heliantos,
filiformes, anastomoses, ranúnculos,
cornaduras, trevos.
Emaranhou-se revolvo em teias,
pisou vasos tubulares vegetais
nem viu aranhas
ninguém nenhures nem um plátano.
No bolso pílulas para complicações neurais.
Sabia íntimo ser viajor mas seria em próxima vida sem dúvida
- era seu desiderato profundo.
Escrevi assim para você que queria ser
andarilho
não entender nada e
sobretudo amar.
(ainda estou escrevendo. este é um poema difícil, precisa ser estudado e está incompleto)
"Não querendo mais uma obra para trabalhar, precisava de uma para me divertir. Decidi fazer a Flora petrinsularis e descrever todas as plantas da ilha sem omitir uma só, com detalhes suficientes para me ocupar pelo resto de meus dias. Dizem que um alemão escreveu um livro sobre a casca de um limão; eu teria escrito um sobre cada gramínea dos campos, sobre as pedras; enfim, não queria deixar um fio de grama, um átomo vegetal sem descrição." Jean-Jacques Rousseau
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Para você incompreender
Vênia! Venho falar:
Mesmo que finde a estrada não acaba
Mesmo que aos pés não aja chão - anda
Solte a flanar teu corpo sútil de matéria estúpida
Ouve:
- um caracol - material de poema - sonha ter medula e
acorda molusco
- outra medusa nasceu de uma ideia acesa e ergueu-se em osso
e coluna feita de algumas vértebras
(achei um osso de sobra em mim)
Tinha a alma dada à tua e podia desabar deste sustentáculo, sem dó.
Este nó, quem nos deu?
Isto você não sabe - rá!
Nem eu.
Mesmo que finde a estrada não acaba
Mesmo que aos pés não aja chão - anda
Solte a flanar teu corpo sútil de matéria estúpida
Ouve:
- um caracol - material de poema - sonha ter medula e
acorda molusco
- outra medusa nasceu de uma ideia acesa e ergueu-se em osso
e coluna feita de algumas vértebras
(achei um osso de sobra em mim)
Tinha a alma dada à tua e podia desabar deste sustentáculo, sem dó.
Este nó, quem nos deu?
Isto você não sabe - rá!
Nem eu.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Aos náufragos
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